Reis Magos – lat. magus; gr. magoi. Os “sábios do Oriente” que Mateus, em seu Evangelho (2,2 eidomen gar autou ton astera, em grego); astera, estrela ou cometa), não coloca pormenores a seu respeito no cenário da Natividade e não cita seu número em três, que surgiu na Patrística, considerando-os três devido aos três presentes (ouro, incenso e mirra)

A Igreja do Oriente fala em doze magos e a tradição cristã julga-os vindos da Arábia, terra do incenso. Embora não seja consistente a arte cristã primitiva aponta: em pintura no cemitério de S. Pedro e Marcelino dois magos; no Museu de Latrão são três; no cemitério de Domitila são quatro.

Para o historiador Heródoto, os magos eram da casta sagrada dos Medos, que formavam sacerdotes para a Pérsia e Jeremias (39,3), cita Nergal-Sereser como chefe dos magos da Babilônia.

Após a queda da Assíria e Babilônia os magos se refugiaram na Pérsia: Ciro e seu filho Cambises reprimiram suas atividades e numa revolta o chefe dos magos se tornou rei e após seu assassinato, em 521, Darioassumiu o trono real.

Na época do nascimento de Jesus os magos floresciam dentro dos domínios dos Partos e participavam do conselho imperial.

A palavra “mago” aparece no AT e NT, em Daniel 1,20; 2,2; 10,27; 5,7 e 11,15 e em Atos 8,9; 13,6-8. S. Paulo se refere a dois magos egípcios da época de Moisés, Janes e Jambres (2 Tm 3,8), desconhecidos no AT, citados, porém, num texto essênio e um elemento da tradição agádica judaica (Documento de Damasco, 5,18-19).

Os Padres da Igreja diziam se tratar de nobres, “quase-reis”, ou fere reges (Tertuliano, Adv. Marcin, III, 13) e a liturgia a eles aplica o texto do Salmo 71/72,10, como “reis de Társis, das Ilhas, Arábia e Sabá”.

A religião dos persas, o Zoroastrismo, proibia a magia, contudo seus conhecimentos de astrologia e interpretação de sonhos os permitiram encontrar o Menino Jesus.

Os católicos insistem em sua existência diante da evidência de manuscritos, as citações de evangelhos apócrifos sobre a infância de Jesus e as referências patrísticas.

  • Os nomes desses magos, na Iigreja Latina, surgem no séc. VII, com pequenas variações, como Gaspar, Melquior e Baltazar; o Martiriólogo menciona, em Janeiro, S. Gaspar no dia 1º, S. Melquior no dia 6 e S. Baltazar dia 11 .
  • Os nomes Gaspar, Baltazar e Melquior provavelmente teriam surgido num manuscrito parisiense do séc. VI e não constam em nenhum texto bíblico, do NT.
  • A festividade dos Santos Reis, em 6 de Janeiro, foi substituida pela festa da Epifania do Senhor, no Domingo que sucede a essa data.
  • Na Catedral de Colônia, Alemanha, a maior em estilo gótico do mundo, encontra-se uma urna pesando 300 quilos, toda em ouro, contendo os restos mortais dos três Reis Magos, trazidos para a Europa no séc. XI.