Os Povos das Missões Jesuítas - Parte 3

  • Cada Missão era dirigida por dois padres jesuítas, responsáveis pela disciplina, desenvolvimento e bem-estar e as Reduções - na verdade a primeira forma de Estado “industrializado” - eram dirigidas por “representantes” e divididas em “terras de Deus”, que eram trabalhadas por todos e a colheita distribuida entre os habitantes, e “terras dos homens”, divididas em lotes para uso familiar individual.e sua produção se destinava aos assentados.
  • Com uma organização rígida e avançada, o dia de trabalho era de seis horas diárias (enquanto na Europa, nesse tempo, era de 12 a 14 horas) e o tempo livre era dedicado à música, dança e orações.
  • Nas Missões, além do ensino amplo, o teatro, as artes, especialmente a escultura e o entalhe, o artesanato, eram muito aplicados e desenvolvidos localmente; a arquiterura era extraordinária como ainda hoje se vê nas ruínas no Rio Grande do Sul e países vizinhos.
  • Estradas cortavam o território das Missões e havia um centro postal com o uso de cavalos para os mensageiros; barcos e canoas transportavam os bens produzidos pela região, como o fumo, madeira, e couro fresco e curtido (bovino e ovino); a erva-mate foi ali introduzida cultivada e exportada.
  • No Paraguai os jesuítas imprimiram livros em guaraní, a língua local e, no início do séc. XVIII, as comunidades das Missões eram a mais pacífica e próspera organização política e econômica na América Latina, bem como uma sociedade inteiramente alfabetizada.
  • Todos estes avanços despertaram a inveja e a cobiça e em 1750 o rei da Espanha cedeu parte do territórios das Missões à Portugal (que há muito desejava tirar vantagem dessas comunidades) e com a expulsão de centenas de jesuítas em 1767 os seus inimigos e rivais tomaram as Missões o que levou as suas populações a uma grande revolta, produzindo inúmeros mártires, como Sepé Tiarajú, restando hoje, somente as ruínas de seu dinâmico e avançado passado.

Os Sete Povos das Missões São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio, na Região do “Rio Grande de São Pedro” atual RS, Rio Grande do Sul.