Hóstia, Hóstia Consagrada - lat. victima, sacrifício.

  • A espécie do pão, a Sagrada Eucaristia, sob cuja aparência Cristo permanece presente de maneira sobrenatural, misteriosa, singular e única, após a Consagração na Santa Missa.
  • Segundo o historiador romano Ovídio, a palavra “hóstia” vem do latim hostis, inimigo, devido ao antigo costume pagão de se oferecer inimigos vencidos como vítimas aos seus deuses, e possívelmente tenha origem no termo hostire, atacar, golpear.
  • No Ocidente o termo hóstia se generalizou devido a sua presença na Vulgata (Rm 12, 1; Fl 4,18; Hb 10,12) e na Liturgia romana (Missal Mossárabe, pág. 39; Missal Gótico, pag. 253), sendo aplicado a Cristo, o Cordeiro Imolado.
  • Na Idade Média chegou a ser conhecida como hoiste, oiste e oite e, nessa época, adquiriu significado especial e devido ao uso litúrgico logo foi associada à ideia original de vítima. Inúmeros outros termos, em latim, foram criados para a palavra, como panes altaris, panes eucharistici, particulae.
  • O material válido para a confecção das hóstias é o trigo puro, transformado em farinha diluída em água, sem o uso de fermento; alguns teólogos antigos divergiram sobre o uso de diferentes cereais em lugar do trigo, mas todos concordaram ao rejeitar o uso de aveia, cevada e outros similares.
  • A primeira menção à sua forma circular está em Santo Epifânio, séc. IV, hoc est enim rotundae forma, constante em pinturas nas catacumbas e em baixos-relevos mais antigos. A unidade de forma e tamanho foi lenta e alguns Concílios tentaram introduzir uniformidade, como o de Arles em 554.
  • No séc. VI as hóstias eram finas e pequenas como atualmente; em 1516 o Missal de Rouen, França, prescrevia que o celebrante deveria partir a hóstia em três pedaços, colocando um deles no cálice, o segundo para ser tomado pelo celebrante e ministros e o terceiro reservar-se-ia para o Viático (doentes terminais).
  • As grandes hóstias eram feitas para serem expostas nos Ostensórios, costume ainda em vigor, e na atualidade, normalmente, as hóstias grandes têm 9 cm. de diâmetro e as pequenas 4 cm.
  • Desde o seu surgimento as hóstias trazem inscrições em relevo, sendo a mais comum o monograma IHS. O concílio de Milão, em 1576, prescreveu a fabricação de hóstias somente nos mosteiros, proibindo-o aos leigos e o Conc. de Cambray, França, 1631, ordenava que em cada cidade deveria existir uma pessoa encarregada de fazê-las com a mais pura farinha de trigo e da maneira indicada pela Igreja.
  • Ainda na Idade Média faziam-se hóstias, para o ano todo, somente em quatro festas litúrgicas principais, prática logo abandonada uma vez que se deterioravam ao longo dos dias. S. Carlos Borromeu ordenou em sua Diocese, o uso de hóstias feitas a menos de vinte dias e a Sagrada Congregação para os Ritos condenou o abuso de se consagrarem hóstias feitas três meses antes, no inverno, e seis meses antes, no verão.
  • A Instrução Geral do Missal Romano recomenda que “Tenha-se grande cuidado para que o pão e o vinho destinados à Eucaristia se conservem em perfeito estado, isto, que nem o vinho se azede nem o pão se estrague ou endureça tanto que se torne difícil parti-lo” (IGMR, 323).“
  • Na Igreja Grega as hóstias contêm fermento, são grandes, algumas vezes redondas, triangulares ou em forma de cruz, mas geralmente quadradas, e podem ser divididas em quatro partes e contêm a inscrição ic xc ni ka, abreviatura de Iesous Christos nikai, isto é, Jesus Cristo é vencedor, e são designadas artos (pão), dora (dons), meridia (partícula) e prosphora (oblação).
  • Os Coptas a chamam, antes da consagração baraco e, após consagradas, corban, oblação; os Sírios chamam-na paristo (pão) e depois da consagração gamouro (brasas vivas); os Nestorianos a chamam xatha (primícia) ou agnus (cordeiro).

v. Viático, Ostensório, Eucaristia.